A Criação

 

    Até 1961, foram longos 7 anos de espera. A criação do curso já havia sido prevista em 1954, quando nasceu a Universidade do Espírito Santo, e em 1957, por meio de uma lei estadual. Todavia, entraves burocráticos no âmbito federal não permitiram que o projeto de criação fosse posto em prática.

    Em 5 de maio de 1954, através da lei nº 806, o governador Jones dos Santos Neves criou a Universidade do Espírito Santo (UES). Entre os institutos universitários que a compunham, constava a Escola de Medicina e, entre os institutos complementares, o Hospital das Clínicas. Diferentemente de outras escolas que constavam da criação da UES e que já se encontravam em funcionamento, como as Faculdades de Direito e de Odontologia, a Escola de Medicina ainda estava para ser instalada.

    A Escola de Medicina foi criada, só no papel, porque entre as exigências necessárias para a instalação de uma Universidade, definidas pelo decreto federal nº 19.851 de 11 de abril de 1931, estava a agregação de uma Faculdade de Medicina.

    A Escola de Medicina do Espírito Santo (EMES) foi criada, novamente no papel, em 1º de março de 1957 através da lei nº 1240, sancionada pelo governador Francisco Lacerda de Aguiar. A lei também definiu atribuições e criou cargos. Em 1958, a fim de criar condições para o início do funcionamento da EMES, o governador nomeou 5 professores e indicou Dr. Aluysio Sobreira Lima para diretor.

    Ainda em 1958, o projeto de criação da EMES, providenciado pelo diretor Aluysio e encaminhado à Diretoria do Ensino Superior do Ministério da Educação e Cultura, não obteve sucesso. Entraves burocráticos do governo federal forçaram a saída de Aluysio do cargo de diretor no início de 1959, quando também terminou o mandato do
governador Francisco Lacerda de Aguiar.

    Em 1959, um fato curioso: o governador Carlos Fernando Monteiro Lindenberg exonerou os 5 professores então nomeados para atuar na EMES. A manchete do jornal A Gazeta do dia 14/02/59: “Professores para escola que não existe”. O assunto virou o centro das atenções da sociedade, das autoridades e da imprensa por dias.

 

    Em 14 de março de 1959, o governador Lindemberg indicou Dr. Affonso Bianco para dar continuidade às providências necessárias para a implantação da EMES, isto é, concluir o Instituto Anatômico, adquirir móveis e equipamentos e obter autorização de funcionamento junto ao governo federal.

    Bianco, considerado o criador do curso, foi o principal responsável em vencer a burocracia e transformar o que estava determinado nos documentos em realidade. A autorização de funcionamento foi finalmente emitida pelo MEC em 29 de dezembro de 1960. “Faculdade de Medicina vai funcionar em 61”, dizia a manchete de primeira
página, em 20 de dezembro de 1960, após sete anos de idas e vindas para a abertura do curso.

    A Universidade do Espírito Santo foi federalizada antes da abertura da escola médica, em 30 de janeiro de 1961. Um dos últimos atos do então presidente da República Juscelino Kubitschek.